Publicado a 30 de agosto 2025
ALA critica burocracia que entrava setor nos Açores
A Associação do Alojamento Local dos Açores (ALA) destaca o crescimento do setor, que em julho
ultrapassou pela primeira vez a hotelaria tradicional no número de dormidas
A Associação do Alojamento Local dos Açores (ALA) sublinha a importância crescente do setor na economia regional, depois de, pela primeira vez, o Alojamento Local (AL) ter ultrapassado a hotelaria tradicional em número de dormidas no arquipélago. Apesar disso, a associação critica os entraves burocráticos que continuam a travar o setor.
Segundo os dados divulgados pelo Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA), em julho registaram-se 638,5 mil dormidas. O Alojamento Local contribuiu com 310,5 mil dormidas (48,6% do total), superando os 293,1 mil da hotelaria tradicional (45,9%). Comparativamente a 2024, o AL cresceu 4,9%, enquanto a hotelaria tradicional registou uma ligeira quebra de 0,5%.
De acordo com a nota de imprensa enviada ao Açoriano Oriental, o presidente da ALA, João Pinheiro, congratula os proprietários e operadores pelo desempenho, mas alerta para a necessidade de manter a qualidade e reforçar boas práticas.
Apesar do crescimento, a associação critica os entraves burocráticos que continuam a travar o setor. Entre os principais problemas apontados estão o processo moroso de registo de novos alojamentos, a lentidão na marcação de inspeções – que pode atrasar a entrada em funcionamento em plena época alta – e a falta de resposta atempada das autarquias, sobretudo nos períodos de férias.
A ALA lamenta ainda a ausência de modernização do sistema estatístico regional, referindo que a plataforma digital do SREA continua desatualizada, sem integração com ferramentas externas, dificultando a comunicação de dados. A associação lançou recentemente uma aplicação móvel para apoiar os seus associados, mas afirma que a interoperabilidade com os sistemas oficiais, particularmente com o SREA, continua a ser um entrave.
Outro ponto crítico para a ALA é a falta de indicadores económicos atualizados, como o RevPAR (Rendimento por Quarto Disponível), cuja divulgação tardia dificulta a análise de desempenho e a tomada de decisões estratégicas. “Todas estas situações continuam a ser “grãos de areia” numa “engrenagem” que poderia funcionar bem melhor, em prol dos Açores”, conclui o presidente da ALA.