Publicado a 27 de fevereiro 2026
Mais de 70% do Alojamento Local sem qualquer hóspede em janeiro: os números exigem ação imediata
Mais de 70% do Alojamento Local sem qualquer hóspede em janeiro: os números exigem ação imediata O Alojamento Local registou uma queda homóloga de 18,9% nas dormidas. Mas o dado mais grave é outro: 70,4% das unidades que responderam ao inquérito não receberam um único hóspede durante todo o mês de janeiro. No período homólogo esse valor era de 65,2%. Ou seja, a situação agravou-se. Quando mais de sete em cada dez unidades de Alojamento Local não têm qualquer atividade durante um mês inteiro, não estamos perante uma “pequena variação estatística”. Estamos perante um problema real de procura, de mobilidade e de orientação estratégica. A Associação de Alojamento Local dos Açores (ALA) considera extremamente preocupantes os dados divulgados hoje pelo Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA), relativos à atividade turística de janeiro de 2026. A ALA vem a alertar desde setembro de 2025 para sinais claros de desaceleração. Esses alertas foram baseados em dados concretos e na leitura antecipada das reservas registadas pelos empresários do setor. Hoje, os números oficiais confirmam exatamente essa tendência. Não basta pedir que se abandone o “pessimismo”. Os empresários não vivem de discursos. Vivem de ocupação, reservas e receitas. A instabilidade recente na liderança do turismo regional, associada à redução da conectividade aérea e à ausência de uma estratégia pública clara e executada, transmite ao mercado um sinal de incerteza que o setor não pode suportar. O Alojamento Local representa a maioria das camas disponíveis na Região. É composto por pequenas e médias empresas, muitas delas familiares, altamente expostas à sazonalidade e a custos fixos elevados. Uma desaceleração prolongada terá consequências inevitáveis: – Quebras graves de tesouraria – Redução de postos de trabalho – Encerramento de unidades – Travagem do investimento privado – Impacto direto na economia regional A Região Autónoma dos Açores ainda não atingiu a maturidade plena enquanto destino turístico consolidado. Continua a enfrentar fragilidades económicas estruturais e dificuldades na fixação de população, sendo o turismo um dos principais motores que tem permitido gerar rendimento, criar emprego e contrariar essa tendência. Não é este o momento para desinvestir no setor, diminuir ambição ou fragilizar a mobilidade aérea. Pelo contrário, é o momento de reforçar estratégia, estabilidade e investimento. Ignorar estes sinais é um risco. A ALA não pretende criar alarmismo. Pretende que se reconheça a realidade e que sejam tomadas decisões concretas e urgentes. A Região precisa de: – Estratégia aérea imediata e transparente – Plano de promoção reforçado e direcionado – Estabilidade institucional nas entidades do setor – Coordenação efetiva entre Governo e agentes privados Ainda é possível inverter esta trajetória antes da época alta. Mas não com esperança. Com ação. A Associação de Alojamento Local dos Açores continuará a defender o setor com responsabilidade, frontalidade e base em dados objetivos.